Estrelas e rubis

Num lugar muito bonito e silencioso pude ver a noite chegar.
O céu foi tomado por um tom de azul tão escuro, tão denso. E as estrelas eram todas vermelhas, um vermelho vibrante, nunca tinha visto algo assim.
Estrelas enormes, eram da cor de rubi.
Senti medo. Quis fechar os olhos. Quis voltar pra casa. Quis me esconder.
Alguma voz atrás de mim me disse, não tenha medo, não há o que temer. Aprecie, é lindo.
E o medo se foi.
Senti meu corpo relaxando, e observei com carinho todo aquele céu, e era realmente lindo, uma das coisas mais lindas que eu já vi. E de tanto olhar, me senti parte dele.
Acordei.
Foi um sonho.
Foi só um sonho.
Fiquei pensando, algumas coisas são tão lindas, e eu ainda tenho medo, que bobagem. Meu Deus, que bobagem é o medo.

Significado dos sonhos

Já li por aí que nosso cérebro não consegue criar rostos sem nenhuma referência. Que todas as pessoas que vemos em sonho são pessoas que já cruzaram nossos caminhos.

Há alguns anos minha mãe disse que eu falei enquanto dormia, disse que repetia a frase “é um homem loiro”. Não lembro de nada sobre este sonho, mas sempre achei que poderia ser alguma premonição e que um dia, talvez, eu conhecesse esta pessoa.

Posso até ter conhecido alguns, mas nenhum que me remetesse ao sonho. O homem loiro permanece anônimo.

Nas estações de trem, no metrô, quando atravesso a faixa de pedestres, me pego pensando que talvez um estranho qualquer, talvez aquela pessoa que esbarrou em mim e nem pediu desculpas, e eu também não me importei, sabe, eu entendo a pressa. Talvez um desses estranhos um dia se torne mais do que alguém que esbarrou em mim e sumiu na multidão.

Talvez essa pessoa me visite em sonho, talvez ela se torne essa matéria da qual somos todos feitos, talvez um estranho deixe de ser apenas um estranho quando eu começar a ouvir meus sonhos.

Alarme: 7h00

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Todo dia, à espera de uma surpresa, ela fazia tudo igual.
Acordava às 7h, tomava um café puro e comia o que estivesse disponível.
Ouvia música enquanto tomava banho, cantava no chuveiro. Às vezes, ainda molhada, se olhava no espelho e se achava bonita, outras vezes ela nem queria se ver.
O caminho para o trabalho era um tempo precioso que ela usava para ler livros e ouvir música. Sempre histórias de amor, aventura, diversão, sobretudo sobre amor. Mas sempre histórias alheias, de outros personagens, de outros tempos, de uma vida que não era dela.
E como ela havia desistido, com o tempo, deixou de esperar. E assim ela já não se lembrava que surpresas só acontecem assim, quando não se espera.