Ficou saudade

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Tela “Saudade” de Almeida Júnior (1899)

O tempo tem seu próprio jeito de arrumar as coisas
Eu quis acelerar, quis fazer do meu jeito
Quis correr pra ver se te encontrava
Quis fazer com que ele parasse pra que ele nunca te levasse daqui
Mas você sabe, eu sei
O tempo não é meu, o tempo não é seu
Ele está aqui sobre nós
E ele leva o que tem que levar
E a tudo que ele deixa aqui eu só posso dar um nome
E o nome mais correto agora seria saudade
O tempo te levou e deixou saudade

Não é saudade

A saudade não é de você, mas das coisas, dos cheiros,  das luzes.
A saudade é de ver suas costas sardentas do outro lado da cama, e do cheiro de erva-doce do seu sabonete, a saudade é da temperatura exata das suas coxas, e dos raios solares que invadiam a janela sem cortina do seu quarto, sua preguiça de comprar uma cortina.
A saudade é até dos seus sapatos espalhados pelo quarto, que ódio dos seus sapatos… que saudade dos seus sapatos.
Como disse, não é saudade de você.