Fim da história

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Essa noite eu sonhei com você. E foi um sonho bom. De vez em quando eu sonho, e quando acordo entro naquele site que fala dos significados, aí procuro lá o que significa sonhar com estrelas vermelhas e brilhantes numa noite escura.
Dessa vez eu não precisei procurar o significado de nada. Eu acordei sabendo. Foi perdão. Nosso processo foi concluído.
Eu sei.
Eu já disse que tinha te perdoado, e tinha mesmo.
E nós já falamos sobre todos os estragos que aquela relação trouxe pra mim enquanto você dizia que só poderia agradecer por tudo que eu fui pra você, eu me culpava por ter permitido que você fizesse tudo o que fez, e por eu ter me permitido ser tão infeliz.
O amor não era aquilo, e eu achava que era.
A gente não brigava, eu sei. E durante muito tempo eu acordava cansada depois de pesadelos brigando com você. É porque eu devia ter brigado, meu subconsciente sabia disso. Devia ter brigado por mim.
Eu deveria ter gritado, eu deveria ter saído correndo e fechado a porta com um belo estrondo, não o fiz, eu deveria, deveria. Essas palavras batiam na minha cabeça como um martelo.
Nunca fui de assistir Sex And The City, mas quando tudo acabou entre a gente, minha professora de inglês, que também te dava aula, disse que nessa série uma personagem fala que a gente leva metade do tempo que durou o relacionamento pra finalmente esquecer.
Eu achei que seria tempo demais, acabou que era tempo de menos.
Só agora. Só agora sinto que posso seguir em frente.
Só agora sei que não foi minha culpa passar por tudo que passei.
Entendi que eu mereço mais, que eu mereço amor, afeto, cuidado, carinho, respeito, amizade. Nada menos que isso.
E foi por isso que eu sonhei com você, foi por isso que no meu sonho nós nos abraçamos, porque finalmente eu deixei você ir, te deixei ir com todo o peso da dor, do medo, da culpa que eu carregava, você finalmente vai embora e vai levar a pior parte de mim, e por isso eu sou grata. Te agradeço porque eu sei o quanto minha vida pode ser melhor.
Seja feliz, querido. Seja feliz por onde for.
Me lembro de você rindo quando eu disse que estava sozinha, lembro de você dizendo de forma até orgulhosa que tinha me desiludido.
Não, este troféu você não tem.
Eu me refiz, tenho me refeito.
Tenho aprendido a esperar o melhor das pessoas, já que por tanto tempo imaginei que todos seriam como você, você não deixou amor, deixou medo, deixou baixa autoestima, deixou receio, deixou dor.
Mas eu sou forte, sou doce, eu sou amor, é por isso que estou me refazendo, porque é nisso que eu tenho que acreditar, na força, na doçura, no amor;
E é por isso que esse perdão é mais meu do que seu, na verdade, é todo meu.
E eu estou tão feliz.

Existe um despertar

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Existe um despertar.
Um relacionamento abusivo é como um sono profundo, e nesse sono profundo eu me sentia presa num pesadelo, que em alguns momentos parecia um sonho maravilhoso. É extremamente instável.
É um sono pesado que não é reparador.
Mas existe um despertar.

E é por isso que eu sou grata pelos dois relacionamentos abusivos que eu tive.
Ambos me ensinaram a urgência que eu tinha em aprender a me amar, a me aceitar. Ambos me colocaram na ponta da prancha, me fizeram saltar direto para o meu processo de autoconhecimento. Um processo longo e contínuo. Eu caí direto num vazio que tinha meu nome e sobrenome.

O que eu posso dizer é que tive sorte.
No momento em que eu achei que estava só, me afundando na escuridão, meus amigos esticaram suas mãos, me tiraram de lá a força. Todos eles esfregaram na minha cara a importância que eu tinha pra eles, e como era importante eu enxergar minha própria importância. Eu não saí dessa sozinha.

Reafirmei meu gosto musical, fiz maratonas de filmes em casa e no cinema, andei de bicicleta por quase todos os cantos da zona sul de São Paulo, fui a shows sozinha e acompanhada, fiz e tenho feito tudo que eu sempre tive vontade de fazer, me soltei das amarras, comecei a perceber que altruísmo é lindo, mas não no amor romântico, no que se trata de um casal, é necessário uma troca justa, é preciso amar e ser amado.
E mesmo numa situação casual, ambos precisam se sentir valorizados.

Hoje eu sou capaz de reconhecer meu valor.
Hoje eu consigo olhar pra mim e entender que existe uma mina incrível dentro desses olhos.
Hoje eu me amo o suficiente pra saber quando alguém me trata mal, quando não estão me dando o devido valor, hoje eu tenho a força que eu não tinha antes, a força que teria me feito levantar com dois pés firmes até a porta e dizer , “ok, vá à merda, não preciso disso”.

Então, se você acha que está num relacionamento abusivo, ou se você acabou de sair de um relacionamento assim, saiba que existe um despertar, e há algo lindo dentro de você. Você só precisa deixar isso sair, e não deixe que ninguém mais te tranque.

Hoje eu não sou mais quem eu era antes, e a menina que eu era com certeza tem um puta orgulho da mulher em que me transformei. E não há passos para trás, agora o caminho é pra frente, e a vida é maravilhosa demais pra ser feita só de histórias tristes.
Agora que eu me encontrei, eu não quero me perder nunca mais.

Aqui está o melhor conteúdo sobre o tema:

Meu relacionamento abusivo

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Como qualquer adolescente, eu achava que sabia muito sobre tudo, e hoje, com quase 28 anos, me dei conta de que não sei quase nada.
Aos 16 anos, tive meu primeiro relacionamento sério que durou 6 anos.
Eu era jovem, imatura, inteiramente entregue e apaixonada. Acreditava no Pra Sempre independente de qualquer coisa. Meu mundo era do tamanho de uma suíte, eu era o próprio mito da caverna.
Namorava um cara que era 8 anos mais velho, ele carregava uma bagagem extensa de relacionamentos anteriores, tinha um filho, carreira, ambição, e muitas outras garotas com quem ele ficava esporadicamente ao logo destes 6 anos em que esteve comigo, amigas do trabalho, vizinhas, a garota que estudou comigo na pré escola, entre outras. Não tenho raiva de nenhuma delas. A única pessoa que me devia respeito era ele, e eu me devia amor próprio. No sentido literal, nós éramos ótimos quando estávamos juntos. Tínhamos uma boa relação de troca, conversávamos, ríamos, nos dávamos bem, mas quando eu não estava por perto, era como se não namorássemos. Pelo menos pra ele.
Era cômico.
O relacionamento não era aberto, pelo menos não oficialmente (HAHAHA).
Por motivos muito mais profundos que seriam explicados apenas numa sala de psicoterapia, o pouco que ele me dava me parecia suficiente, eu acreditava que as migalhas do relacionamento eram o máximo que eu teria no mundo, lembre-se que meu mundo era do tamanho de uma suíte. A ingenuidade de uma jovem é surpreendente.
Por anos me conformei com o pouco e o quase nada. E me doei como ninguém, quanto menos eu recebia, mais eu me entregava, dizem que amor é altruísmo, e talvez tenha sido isso, uma relação onde eu precisava ser a altruísta.
E essa relação chegou ao fim.
Foi ele quem terminou comigo.
Meu pequeno mundo desmoronou. Eu não tinha referência nenhuma, não sabia nada sobre mim.
Minha única referência no mundo era ele.
Eu era como um filhote abandonado na rua, não precisaria de muito pra alguém conseguir me levar pra casa. E foi assim que eu passei de um relacionamento ruim pra um pior.
Nesse relacionamento tive tudo que eu não tive no anterior. Cinema, viagens, festas, presentes, anel de noivado.
E tive violência psicológica, tive alguém que me colocava pra baixo o tempo todo, que falava mal do meu corpo, que me pedia pra usar maquiagem, alguém que ignorava minha família e meus amigos, alguém que era rude comigo, que  não gostava de animal nenhum que não fosse o cachorro dele, que criticava meu gosto pra filmes, pra música, pra roupa, alguém que odiava conversar comigo, era a última pessoa pra quem eu ligaria pra conversar, e mesmo assim era meu namorado.Ele terminou comigo dentro do carro e finalizou com a frase: agora estou com pressa, preciso ficar com meu sobrinho.

Me lembro de entrar em casa me sentindo o pior dos lixos humanos.
Me senti extremamente sozinha.
Mas eu estava errada.
Meus amigos foram extremamente importantes nessa fase de renascimento.

E foi aqui que eu comecei a viver de verdade.
Consumi tudo que falava sobre relacionamentos abusivos, percebi como isso estava diretamente ligado ao fato de ter autoestima baixa, entendi que eu precisava desenvolver amor próprio. Fechei as duas portas desses relacionamentos que contei aqui em cima pra finalmente abrir a porta pra mim. E é aqui que começa uma nova história.