É como um jogo

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Você me beija com sede
E me devora com estes olhos famintos
Me envolve nos braços quentes
Como quem me prende
Sabendo que eu quero ficar
Me segura, me solta
Me invade e vai embora
Não me deixa certeza de nada
Só a vontade, o desejo, o querer, a dúvida
E dentro de mim a voz de mulher
Que só sabe dizer – Volta!

Sobre música, sobre gente

show Pearl Jam

Show do Pearl Jam no Brasil – Eu era uma luzinha

Eu fecho os olhos agora e consigo me teletransportar para o meio de um estádio de futebol, é dia de show de uma das minhas bandas favoritas. Qualquer uma delas, viva ou morta, está lá. O estádio lotado, pessoas cobrindo o gramado, lotando os assentos de cima a baixo, a banda é um ponto pequeno no palco, cercada de luzes estrategicamente posicionadas, luzes brancas, amarelas, vermelhas, luzes rápidas que correm do vocalista para o baixista, e para o guitarrista e que contempla o baterista por alguns instantes até voltar de novo para o vocalista.
Em todas as músicas, milhares de pessoas cantam em uma única voz, elas vencem as caixas de som, vencem cada pequeno espaço vazio que por teimosia permaneceu no estádio. O eco entre os versos invadem o corpo pelos poros e o som explode no peito, sinto cada pelinho do meu corpo se arrepiar, meu organismo responde à música como uma droga boa de usar.
É minha banda favorita, é a música que eu escuto há anos, e cada um ali também tem uma história pra contar, e o que fazemos? Contamos nossas histórias, cantamos todos juntos, levantamos nossos celulares pois isqueiros agora acendem apenas os cigarros, somos pontinhos de luz, uma constelação no meio da cidade.

O café e a paixão

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O cheiro do café chega quente aos pulmões, e esse cheiro quente que se transforma em calor, me faz lembrar de uma manhã de sexta-feira num quarto que ficava no 7º andar. Um quarto com janelas grandes, onde a decoração era feita por roupas espalhadas pelo chão, e das vidraças era possível ver um pedaço do céu por entre outros prédios.
O cheiro de café às vezes me transporta para um lugar no passado que me aqueceu. Foi um beijo, um abraço, um café e o pão de queijo, tudo igualmente quente. O café que me leva de volta para a Alameda Lorena é o café que vai um dia me levar para outro lugar, e só espero que seja quente, espero que tenha calor.