A chuva em SP

Estava pensando sobre como somos ingratos.

Veja, moro em São Paulo que é a cidade onde nasci e que amo. Mas é uma cidade cinza, apressada, onde todos estão atrasados e ocupados demais tentando ser importantes.

Aqui tudo se resume a dinheiro.

Passamos por épocas de ar seco, poluição acumulada, mal cheiro do rio que nós matamos.

Imploramos por chuva.

Rezamos por ela antes de dormir.

E quando finalmente chove, reclamamos, cobrimos nossas cabeças feitas de chapinha, fechamos a cara e as janelas. Fico pensando, talvez a chuva demore pra chegar por causa disso. É tão ruim ser mal recebida.

Vem como chuva

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Vem como chuva que cai aos poucos, toca minha pele, atravessa o algodão da minha roupa
Me faz sorrir, me faz sentir o corpo arrepiar
Bagunça meu cabelo, desorganiza meus pensamentos.
Me faz ficar na ponta dos pés
Corre meu corpo com delicadeza
Me despe a alma, me faz livre
Me faz olhar pro céu de olhos fechados
Seja a chuva que limpa as nuvens, que traz o cheiro de terra molhada
Vem assim devagarinho descobrindo cada canto, a pele coberta e descoberta, a nuca, o peito, os dedos.
Mas vem logo, que meu tempo muda, e o sol logo sai
E eu sou mais do sol do que da chuva