Aos meus caros espertos, dedico o meu cansaço

Já deve ter acontecido com você.
Você vai ao mercado, essa que não é uma das atividades mais gostosas do dia. Pega a fila do caixa com aquela cestinha pesando no braço. Você se pega olhando pra pilha de cervejas ao lado. Se perde pensando que queria levar um pacote delas, mas talvez você tenha bebido muito nos últimos dias, melhor dar um tempo. Nesses segundos de distração, algum esperto furou a fila e entrou na sua frente.
E você questiona sua sanidade mental:
“Será que essa pessoa estava aqui o tempo todo e só eu não vi?”
Pane no sistema.
Não, o infeliz furou a fila na maior cara de pau mesmo.
E talvez você deixe pra lá, porque existe um grande cansaço. Se o infeliz está com pressa, que o mundo dele acabe antes do seu.
Ah, mas isso irrita, não irrita?

Essas pessoas mais espertas, elas estão em todos os lugares. Na fila do caixa no mercado, no trânsito, no meio dos amigos nessas redes sociais, nos bares, nas praias, e a sorte delas é que existe esse grande cansaço. Eu até acho que foi esse tipo de gente que inspirou o roteiro do filme Um Dia de Fúria.

Um comentário sobre “Aos meus caros espertos, dedico o meu cansaço”

  1. Já aconteceu comigo e com amigos. Ontologicamente cansativo. Mas creio que furar fila tem seu próprio remédio: quem fura nunca está satisfeito com a vida, pois vive às pressas, na gula do corre-corre, engajando malabarismos escusos por vantagens coitadas. E perde o bom da vida, que é a calma da semente, a paciência do girassol, a graça da nuvem.

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