Minha alma jovem

Existe um grande cansaço de tudo que está ao redor.
É o som das obras que nunca acabam, a voz estridente de algum vizinho, ou sempre do mesmo vizinho. É o cansaço de olhar pela mesma janela de todos os dias e ver sempre a mesma paisagem com apenas uma árvore triste ao lado de um telhado cinza.
Existe este grande cansaço por não conseguir vislumbrar nada além da árvore triste e do telhado cinza.

As pessoas se tornaram essas telas com brilho em 60% para não cansar os olhos que já estão cansados. Não existe cheiro nem calor, mandamos beijos e abraços que nunca chegam, e que pena, que pena me dá mandar um abraço assim, solto no ar, preso no meu quarto, eu e meu abraço. Esse abraço que talvez, quem sabe, nunca vai chegar.

O cansaço, este a que me refiro, também se dá por essa insistência da minha alma ainda ingênua, que continua a acreditar em dias melhores, em pessoas que foram destinadas a cruzar um caminho e fazer dele uma rota mais bonita. Minha alma tem um brilho ainda jovem, tem força e coragem, é ela que ainda me faz dançar num quarto vazio, é ela que me faz deixar tocar uma música bonita, é por ter essa alma, que apesar da árvore triste e do telhado cinza eu ainda consigo sorrir, mesmo cansada, mesmo duvidando de vez em quando, aqui dentro ainda trilho um caminho sabendo que um dia a gente vai se encontrar.

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