Outra língua

Com esse seu jeito de falar, essas palavras diferentes que eu nunca soube direito o que significavam. Coisas boas, eu até pensava. E se não fossem coisas boas? Tanto faz. Te olhava assim meio desconfiada, pensava em perguntar. Não perguntava. Deixava pra lá, assim como você me deixava.

Eu também tinha minhas próprias palavras, e meu jeito de acordar em silêncio. Você barulhento, desperto, grande demais. Sempre grande demais. E quanto mais alto você falava, mais eu me recolhia. Deixa falar, eu pensava. E você, sem entender, me olhava como se eu precisasse de alguma coisa que você não pudesse dar.

Eu tinha minhas próprias palavras. Você tinha as suas. Apesar da angústia em não saber, nunca perguntei, porque talvez eu quisesse manter assim, quisesse que alguma parte sua continuasse escondida, inacessível, inexplorada por mim porque eu não te queria por completo e nem você queria a mim.

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