coisas assim

Tenho sentido uma vontade de fazer tanta coisa.
Queria ler em alta velocidade todos os livros que fico adiando.
Daí lembro que um livro é como alguém que você está destinado a conhecer.
Tem hora certa, jeito certo, momento certo pra acontecer.
Qualquer passo antes disso seria puro desperdício.

Tenho pensado em passos de dança.
Não sei dançar.
Lembro da última vez que dancei com alguém, lembro das risadas, do ritmo, dos tropeços e da música tão brasileira.
Lembro da alegria que tomou conta de mim e fez com que eu me esquecesse que não sei dançar, me deixei levar.

Quando foi a última vez que me deixei levar?

Penso também em todos os bilhetes que escrevi.
Bilhetes perdidos em livros, cartões cheios de coisas sentimentais.
Coisas que nem me lembro mais.
Meus bilhetes se tornaram fendas no tempo, tão perdidas quanto o próprio tempo.

Escreveria mais bilhetes e os perderia novamente.
Me perderia também, de novo e de novo.

Escuto mais uma vez Any Road, a canção do George Harrison.
O refrão saiu do livro Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll.
Não seria ruim ser como Alice que atravessa espelhos e escuta quem nunca teve chance de ser ouvido.
Qual o problema em me sentir grande demais, ou pequena demais de vez em quando?
Tenho pensado em coisas assim.

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