portas abertas

Se eu fosse uma dessas pessoas que fumam, eu estaria fumando agora. Fumaria para contemplar o silêncio ao redor e escutar de forma mais atenta meus pensamentos.
Mas eu não fumo.
Fico só eu e meu silêncio.
É assim que observo esses passos apressados, portas que abrem e que fecham, tanta pressa. São tantas despedidas. E algumas despedidas deveriam selar de uma vez por todas esse portal por onde saem essas sensações, esses sentimentos, tudo isso que bagunça a gente de dentro pra fora.
Se eu fosse uma dessas pessoas que sentam num banco, segurando um cigarro com os dedos amarelados, essas pessoas que olham pra fora e não deixam nada entrar, eu não me importaria com portas, passos, idas e vindas.
Mas eu não fumo.
Meus olhos são atentos demais, eu observo tudo que chega, tudo que vai embora. Eu já entendi, terei despedidas demais, mais do que eu poderia suportar. Mas no final de cada uma delas eu descubro, é possível suportar. Com o tempo a despedida vira a lembrança da chegada, e a chegada muitas vezes é mais bonita do que a partida. Tem sido assim. É isso que acontece quando se mantém as portas abertas.

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