Como deve ser

Sinto que o tempo vai organizando as coisas. Deixando tudo em seu lugar.
Me parece que nesse processo acabo revisitando memórias.
Hoje pensei em dias bonitos e em manhãs ensolaradas.
Pensei no vento na Avenida Paulista e nas pessoas que eram como o vento.
Pensei nas casas onde estive e nas ruas onde andei.
Pensei na Liberdade, o bairro de São Paulo, e no casal que fez pose ali. A namorada virou fotografia.
Pensei nos jovens que tentaram a todo custo se encontrar e acabaram trêbados, tontos, cambaleantes, manchados e suados nas calçadas da Rua Augusta. Pensei na minha figura careta desviando dos jovens perdidos. No fundo eu queria pegar cada um deles pelo ombro e dizer o quanto eu também estava perdida, mas que a vida é assim mesmo, às vezes uma loucura, às vezes um tédio.
Pensei no Cemitério da Consolação e nos três pombos que vi pousados sobre a placa de sinalização.
Pensei em faróis vermelhos e nos carros.
Pensei na resposta que ouvi: Grande coisa
Ainda não sei qual ponto eu daria para esta resposta. Exclamação? Não. Reticências? Não dessa vez.
Pensei na pequena menina sentada de costas para a quadra de futebol e no chinelo que ela calçava quase saindo do pé.
Pensei na moça fazendo a sobrancelha no meio da praça e em como a solidão dela também doeu em mim.
Pensei em todas as possibilidades.
Os pensamentos vagam por aí de vez em quando. Mas as coisas são como devem ser.
E nesse momento eu escrevo minha história, então, o ponto é um ponto final.

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