Você não entende nada

Tem uma música do Caetano onde ele fala “você não entende nada”, não tem? Tem sim. Eu lembrei de você ao mesmo tempo que lembrei dessa música.

Você não entende nada, não sabe e não quer saber. Linda cabeça oca. Como pode?

Nesse momento estou sentindo o cheiro do meu próprio perfume, dou um gole na minha taça de vinho, escrevo e respiro fundo como se minha vida dependesse disso. Olha que loucura, não é que depende mesmo? Ria, desgraçado!

Tire seus lençóis, deixe-os no sol. Abra sua janela, deixe a luz entrar, deixe o ar sair.

Se olhe no espelho, sorria! Mostre os dentes. Eles estão brancos? Jogue água fria no rosto. Lembre-se do meu rosto. Todos os rostos são amassados pela manhã, todos os olhos são pequenos.

Grite! Me expulse.

Diga que aí já não é mais meu lugar. Eu sou seu fantasma? Não. Eu não sou. Eu não sou nada.

Se eu fosse alguma coisa, seria algo vivo, querido. Querido porque te quero bem, no sentido literal de se querer bem a quem já não se quer mais.

Eu não seria seu fantasma. Grite. Grite e dance, faça amor e alegria.

Meu bem, abra a janela onde bate sol. Você nunca soube. Você nunca entendeu nada.

Eu seria algo vivo. Eu sou um girassol.

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