Desisti

Toda vez que eu entrava num ônibus lotado e alguém me esmagava, não pedia licença nem desculpas, eu me sentia invisível.
Toda vez que eu levantava a mão pra tentar falar e ninguém deixava, ou interrompiam enquanto eu dizia algo, sentia que talvez, além de invisível eu também fosse muda.
E se de alguma forma eu conseguia criar, e via minha criatura sendo tomada por outras mãos, imaginava que talvez eu não tivesse criado, talvez eu tivesse apenas imaginado.
E de tanto passar por invisível, muda e alucinada, comecei a acreditar.
Se sou invisível, então me escondo.
Se não me ouvem, me calo
Se crio e me tomam, de mim já não sai mais vida.

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