telas

Lá fora o céu continua azul, os carros ainda passam vagarosamente na avenida congestionada, posso ouvir da minha janela o som enfurecido das buzinas. Buzinas enfurecidas acionadas por pessoas furiosas. O que acontece com as pessoas?
A tarde vai cair, hoje é um dia frio de inverno e eu posso apostar que o céu ficará meio rosado, como quando você pincelava sua tela e eu sabia que algo lindo apareceria ali, algo lindo como um nascimento, um nascimento de algo que não se pode prever, tão breve, breve como o entardecer.
É por isso que aqui da minha janela eu ignoro as buzinas e as pessoas furiosas, olho o céu, observo as cores indo embora e as que chegam. Uma tela nova surgindo a cada instante, uma grande pintura, até que tudo vire escuridão.
Acho que nunca te disse isso, mas eu não gosto do escuro, essa coisa das trevas não me atrai, “mas existem as estrelas”, você me diria. E acho que você me conhece um pouco pra saber que das estrelas eu gosto, parecem tão poucas vistas aqui dessa cidade, o céu poluído, os prédios, as luzes dos postes, as nuvens pastosas, mas ainda assim, as estrelas, pontos de luz. É como eu faço pra não me sentir assim tão só, aqui da janela vejo as estrelas, conto uma, duas, quatro, talvez seis. Eu não entendo de estrelas, essa coisa de Cinturão de Órion, todos esses nomes, só sei que são bonitas, assim como suas telas.

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