Uma torneira pingando

Torneiras pingando, portas entreabertas que ficam fazendo aquele som de coisa arrastada, roupas espalhadas pelo quarto, todas essas situações mal resolvidas acabam comigo. É uma fobia.

Preciso fechar bem a torneira, abrir ou trancar a porta de uma vez, recolher as roupas, mesmo que fiquem empilhadas num canto qualquer.
Tenho horror a esse tipo de gente com quê de torneira pingando, portas entreabertas e roupas espalhadas, elas me lembram descaso. Detesto descaso. Olho com ar de desconfiança e preguiça.
Sei que vou ter que levantar e fechar a maldita torneira, dar um jeito na porta, recolher as roupas e assim ficar em paz. Mas até me levantar, vou sentir aquele frio na espinha, aquela dor latente nas têmporas enquanto meus dentes encostam uns nos outros, rangendo ressentidos. O suspiro vem, mas até lá, passo por tudo isso, e me irrita passar por isso. Pelo descaso.
Egoístas.
Fazem tudo do jeito deles, não se importam com minhas têmporas.
E eu, egoísta também, quero que se importem com minhas têmporas, quero conservar meus dentes, eles não se importam com meus dentes.
Posso ter inúmeros defeitos e manias, mas descaso, descaso não tem muito a ver comigo. Eu ou escancaro as portas ou as tranco de vez. A torneira ou jorra ou fica seca, e minhas roupas, minhas roupas moram metade numa cadeira, metade no guarda-roupa. As que eu mais gosto estão numa cadeira.

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