Deixa passar

Minhas dores moram mais no passado do que no agora.
E sem perceber eu volto pra esse passado e sinto a dor nos ossos, as lágrimas inundando os olhos, a dor que já não existe se torna tão presente quanto já foi um dia há muito tempo.
A dor que não pôde ser evitada.
A dor que não pôde ser reduzida.
A pessoa que eu fui não teria como evitar. Era um processo, de dor e de contentamento. Toda a minha história com passagens lindas, tristes e inevitáveis.
E por que é a dor que eu visito tanto?
Não há como mudar o que passou.
Por que eu preciso destrinchar cada pedaço do que me fez mal, por que insisto em ser a turista num museu de lamentações?
Talvez eu busque por respostas que nunca encontrarei
Por que precisei passar por isso?
Por que comigo?
O que eu fiz de errado?
Eu sou pior que alguém?
Todos sentem dores. Todos.
Todos já foram feridos.
E no fundo eu sei que nunca vou encontrar essas respostas.
Sem dúvida estou mais forte, mais doce, mais dona de mim, apesar de ferida, corajosa, apesar de dolorida, incansável.
O passado é um lugar que eu não queria mais visitar, mas ele é uma das minhas casas.
Só preciso lembrar que já não moro lá.
O passado é aquela casa numa rua onde você já morou e que de vez em quando passa em frente com alguns amigos e comenta, sabe, eu costumava morar ali. É isso. Eu costumava morar ali.
E fazendo este exercício eu volto pra onde vivo, o agora.
Sem respostas.
Apenas fazendo o que eu posso fazer, que é viver.

Meus pés estão aqui.

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