Abre a porta, é só um adeus

Querido, abra a porta. Eu juro que vai ser a última vez. Abra a porta pra que eu possa me despedir, minhas malas já estão lá fora, e eu tô levando o pôster do Bob Dylan, só mais uns dias e esse apartamento nunca mais vai te lembrar meu nome, me deixa te dizer adeus.

Aquela caneca que eu gosto, tô levando também, limpei da memória meu tempo de jogo no Wii como te prometi. E o cheiro de baunilha logo sai daqui.

Ei, me escuta, talvez tenham sido os anos, talvez tenha sido a falta de abraços, ou de pernas entrelaçadas debaixo do lençol, talvez tenha sido aquele carnaval em Guararema, ou o sorvete de flocos que na verdade era de creme, a verdade é que a gente nunca vai saber.

Pensa pelo lado bom, minhas sapatilhas nunca mais ficarão no banheiro atrapalhando o seu andar meio bêbado na madrugada, nem o pó do meu blush vai colorir a pia branca que você escolheu, aquela cantoria matinal agora fica por conta do Bem Te Vi que às vezes aparece por aqui.
Vem aqui, me deixa te dar tchau, eu não te amo mais, mas eu gosto tanto de você.

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