Meu relacionamento abusivo

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Como qualquer adolescente, eu achava que sabia muito sobre tudo, e hoje, com quase 28 anos, me dei conta de que não sei quase nada.
Aos 16 anos, tive meu primeiro relacionamento sério que durou 6 anos.
Eu era jovem, imatura, inteiramente entregue e apaixonada. Acreditava no Pra Sempre independente de qualquer coisa. Meu mundo era do tamanho de uma suíte, eu era o próprio mito da caverna.
Namorava um cara que era 8 anos mais velho, ele carregava uma bagagem extensa de relacionamentos anteriores, tinha um filho, carreira, ambição, e muitas outras garotas com quem ele ficava esporadicamente ao logo destes 6 anos em que esteve comigo, amigas do trabalho, vizinhas, a garota que estudou comigo na pré escola, entre outras. Não tenho raiva de nenhuma delas. A única pessoa que me devia respeito era ele, e eu me devia amor próprio. No sentido literal, nós éramos ótimos quando estávamos juntos. Tínhamos uma boa relação de troca, conversávamos, ríamos, nos dávamos bem, mas quando eu não estava por perto, era como se não namorássemos. Pelo menos pra ele.
Era cômico.
O relacionamento não era aberto, pelo menos não oficialmente (HAHAHA).
Por motivos muito mais profundos que seriam explicados apenas numa sala de psicoterapia, o pouco que ele me dava me parecia suficiente, eu acreditava que as migalhas do relacionamento eram o máximo que eu teria no mundo, lembre-se que meu mundo era do tamanho de uma suíte. A ingenuidade de uma jovem é surpreendente.
Por anos me conformei com o pouco e o quase nada. E me doei como ninguém, quanto menos eu recebia, mais eu me entregava, dizem que amor é altruísmo, e talvez tenha sido isso, uma relação onde eu precisava ser a altruísta.
E essa relação chegou ao fim.
Foi ele quem terminou comigo.
Meu pequeno mundo desmoronou. Eu não tinha referência nenhuma, não sabia nada sobre mim.
Minha única referência no mundo era ele.
Eu era como um filhote abandonado na rua, não precisaria de muito pra alguém conseguir me levar pra casa. E foi assim que eu passei de um relacionamento ruim pra um pior.
Nesse relacionamento tive tudo que eu não tive no anterior. Cinema, viagens, festas, presentes, anel de noivado.
E tive violência psicológica, tive alguém que me colocava pra baixo o tempo todo, que falava mal do meu corpo, que me pedia pra usar maquiagem, alguém que ignorava minha família e meus amigos, alguém que era rude comigo, que  não gostava de animal nenhum que não fosse o cachorro dele, que criticava meu gosto pra filmes, pra música, pra roupa, alguém que odiava conversar comigo, era a última pessoa pra quem eu ligaria pra conversar, e mesmo assim era meu namorado.Ele terminou comigo dentro do carro e finalizou com a frase: agora estou com pressa, preciso ficar com meu sobrinho.

Me lembro de entrar em casa me sentindo o pior dos lixos humanos.
Me senti extremamente sozinha.
Mas eu estava errada.
Meus amigos foram extremamente importantes nessa fase de renascimento.

E foi aqui que eu comecei a viver de verdade.
Consumi tudo que falava sobre relacionamentos abusivos, percebi como isso estava diretamente ligado ao fato de ter autoestima baixa, entendi que eu precisava desenvolver amor próprio. Fechei as duas portas desses relacionamentos que contei aqui em cima pra finalmente abrir a porta pra mim. E é aqui que começa uma nova história.

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