Sobre a névoa

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De vez em quando meu quarto fica todo cinza. Uma névoa pesada enche o ambiente e eu não vejo mais razões para sorrir.

E essa névoa, essa cor cinza, é autoritária e não me permite abrir as janelas, não me deixa me vestir, não me permite ver o mundo lá fora, não me deixa falar com ninguém. Até que eu também fico cinza, me torno parte da névoa. Essa névoa faz meu corpo pesar uma tonelada.

E do mesmo jeito que a cor cinza invade meu quarto, ela também se vai, levando a névoa, e pouco a pouco sinto meu corpo ficando leve, abandonando correntes, âncoras, relaxando cada músculo. E a luz entra por entre frestas, e eu consigo ouvir música, abro a janela e a luz invade o quarto, aquece minha alma, e no meu peito sinto meu coração levitar.

A luz do dia no meu quarto também me lembra que a névoa vai voltar. Mas o que seria dessa luz sem os dias cinzas? Como eu saberia o que é levitar sem antes ter sentido o corpo pesando uma tonelada?

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