Dançando na chuva

Eu não sei se é a chuva que mexe com meus sentimentos ou se meus sentimentos é que mudam a forma como eu sinto a chuva.

Hoje eu saí do trabalho e tinha caído o maior temporal. No caminho haviam várias poças d’água, o chão brilhava, de cada folha de árvore caiam pingos pesados da chuva que passou. Os parabrisas dos carros, agora decorados pelas gotinhas, ganharam um tom delicado, o cheiro gostoso de ar limpo invadiu meus pulmões e eu senti cada pedacinho do meu corpo desejando sentir aquela chuva caindo sobre mim.

Eu tive uma certa inveja das folhas das árvores que foram banhadas pela chuva, e dos carros que agora pareciam mais delicados, e até daquele chão que brilhava.

Essa chuva levou tanta coisa. Deixou tudo melhor. E mesmo agora, quando eu olho pro céu e nada cai, sei que ela deixou algo pra mim. Está nesse ar que me circula, que entra no meu corpo e eu entrego de volta pro universo. O ar leve que ela me deu de presente é um pouco da chuva em mim.

E eu quero tanto ser melhor, mais forte com minha própria delicadeza, quero brilhar, e eu quero além de tudo que ela volte. Só por uns instantes eu desejo com tanta força que chova, mas tanto, que talvez eu descubra algum super poder, e quem sabe a ideia de dançar na rua pareça pertinente, e foi assim que eu me dei conta que não são só as pessoas alegres que dançam, são também as desesperadas.

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