Uma Julieta Pós Moderna

Ela correu por uma rua deserta às duas horas da manhã, quebrou o salto, arrancou os sapatos e quase os jogou longe, mas era um par de Loboutin.
A maquiagem borrada de alguém que havia chorado como uma atriz vivendo um drama, cabelos lisos numa perfeição simbólica levados pelo vento, trajando um vestido branco, agora manchado por um vinho barato que ela nem bebeu.
Ela flutuava naquele belo vestido condenado pela mancha de vinho.
Correu como quem foge de uma cena de horror, correu como quem busca salvação.
Atravessou a rua e sentou numa calçada, onde jovens bêbados podiam jurar que ela era apenas uma visão gerada pela última dose de tequila.
Era madrugada, a boemia incomodava, toda aquela felicidade não condizia com o espírito quebrantado de uma moça triste num belo vestido.

Cansou de correr, assim como cansou de esperar.
Numa noite decisiva, onde tudo que se espera são as respostas certas, ela ouviu o que não queria.
Reagiu como nunca achou que precisasse reagir.
Tomou da mágoa a mesma dose do amor, se envenenou.
Cobrou dele aquilo que somente ela daria, e não ganhou.
Fez de tudo um sacrifício, e sacrificou por ela e mais ninguém.
Seu amor era como o vestido que usava, manchado, condenado.
Não queria mais correr, nem por fuga, nem por salvação.
Ela era uma Julieta pós moderna à espera de um Romeu que não viria mais ao seu encontro.

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