Free Hugs

Ninguém sabe, mas me tornei uma estudiosa, uma cientista, o objeto da minha pesquisa se chama Abraço. Sim. Decidi experimentar todo tipo de abraço possível, estar nele por inteira pelo tempo que durar.

Faço uma imersão carismática em todo tipo de abraço.
Quero descobrir as nuances, os cheiros, as intenções, a intensidade do sentimento ou ausência completa dele.
Primeiramente, entendi que cada pessoa, além da sua própria digital, possui também um abraço único.
Dia desses, na estação Brigadeiro do Metrô, recebi pela segunda vez o abraço mais completo que existe. É aquele bem apertado, mas que não sufoca, é rápido, mas parece que vai durar uma vida. Normalmente é um abraço de despedida. Parece dizer: Tô indo embora, deixa eu levar um pedaço seu, e você leva um meu só pra saudade ser menor.
E esse tipo de abraço sempre me faz pensar que talvez eu nunca mais volte a ver a pessoa.
Tem o abraço que te envolve por completo, ainda mais ser você for uma pessoa tão baixinha quanto eu, o abraçador se torna um casulo, o abraçado se sente tão protegido, tão em paz que nada mais importa e é nesse momento que ele pode por pra fora tudo que estava guardado, normalmente quem abraça assim sabe que seu fardo está pesado e que 5 minutos nos braços de alguém, e algumas lágrimas pra desafogar, podem mudar seu dia. E muda mesmo. Recomendo.
O abraço de criança que te agarra pelas pernas. De cima a gente tem a impressão de ver um duende muito fofo cheio de energia capaz de transformar qualquer bobagem numa grande descoberta. É o abraço que faz a gente descer das alturas do mundo adulto, dobrar os joelhos, e olhar nos olhos um ser coberto de energia vital, aquela vitalidade que um dia a gente também teve. É troca de afeto da mais pura forma.
O abraço da energia canalizada. Um dos meus preferidos. Acontece em momentos de grande emoção. Por exemplo, final de um show de uma banda incrível, como foi com Pearl Jam. Pessoas DESCONHECIDAS (!!!!) se abraçando (!!!!). A emoção estava no talo, todo mundo queria falar de amor. A melhor forma de falar de amor? Abraçar.

Tem o abraço de pernas entre lençóis bagunçados, com música baixinha, duas pessoas em silêncio, é o tipo de abraço que faz tudo valer a pena. É a ilusão de existir apenas duas pessoas no mundo, aquelas duas dividindo os lençóis, a cama, o sexo, o amor.

E tem abraço ruim. Você vai reconhecer. Ele vem acompanhado de alguns tapinhas nas costas. Esses tapinhas que traduzindo para o português seria mais ou menos assim:
Então, tá. É isso aí, né?
Ou
A gente vai se falando então
Ou
Se cuida
Ou
A gente marca
É o abraço blasé
Credo.
E tem abraço eufórico, cheio de saudade, de desejo, de amor. Tem abraço que eleva a gente do chão, abraço que faz a gente voar. O abraço dos apaixonados e dos amigos que voltaram de longe.

Tem o abraço da mãe, que mesmo sem dizer, ou até dizendo, ele serve pra que você saiba que todo amor do mundo é seu e é ela quem te dá.

Tem abraço que promete uma noite inteira de aventura.
Tem abraço que serve pra te lembrar que você não está sozinha e que nunca estará.
Só sei que abraço cura, mesmo aquele blasé… Abraço é troca de energia, é se doar por alguns instantes. É tornar possível que dois sejam apenas um só, e isso é pura magia.
Continuo com minha pesquisa. Então, pode me abraçar, que eu já virei quase uma especialista.

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